
Livro de Leonardo Dantas Silva propõe um passeio pela história do Recife
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Segunda edição de 'Arruando Pelo Recife' ganha novos capítulos e imagens
Na live, estarão presentes além do autor, o jornalista Ângelo Castelo Branco e o escritor Bruno Melo, parceiro do autor nas pesquisas. Na conversa, Leonardo falará sobre o processo de desenvolvimento da obra, que teve sua primeira edição lançada no ano 2000. Duas décadas depois, o livro chega ampliado com novos capítulos, mapas com os roteiros, desenhados por Terciano Torres, e fotos atuais da capital pernambucana feitas pelo autor, além de imagens aéreas de Alcir Lacerda.
"O Recife mudou muito desde o lançamento da primeira edição. O Parque das Esculturas de Francisco Brennand e o Marco Zero como é hoje, não existiam, nem o Instituto Ricardo Brennand, por exemplo", explica o escritor. "Através das rotas que estão na obra, o leitor pode conhecer esses pontos e sua história, assim como a importância cultural e para o desenvolvimento da cidade."
O passeio cultural e histórico proposto por Leonardo Dantas cobre várias áreas da cidade, como os bairros de Santo Antônio, São José, Boa Vista e do Recife, no centro, a Várzea, Dois Irmãos, entre outros. Há, ainda, um capítulo especial dedicado ao Parque Histórico Nacional dos Montes Guararapes, no vizinho município de Jaboatão dos Guararapes. A localização tão próxima do bairro de Boa Viagem — e sua importância para Pernambuco e o Brasil —, justificam a inserção na obra.
Todos os roteiros sugeridos têm como ponto de partida a Praça do Marco Zero e obedecem ao circuito do trânsito de veículos, ou seja, nenhuma vai pela contramão. Assim, é possível seguir um fluxo que remonta à história e paisagem da cidade desde o século 16, com alusões à origem do nome de ruas, costumes que se mantém, a arquitetura das edificações, entre outros.
É possível descobrir, por exemplo, que o Sítio da Tamarineira, onde funciona o Hospital Ulysses Pernambucano, é um dos mais antigos do Recife, com escritura de 9 de junho de 1551. No levantamento histórico do local, Leonardo Dantas faz um resgate de todos proprietários do sítio até chegar às mãos da Santa Casa de Misericórdia em 1830. Outra curiosidade é a de que nas festas de São Gonçalo, as moças solteiras devotas do padroeiro "saracoteavam" em danças que faziam parte do culto na igreja dedicada ao santo, na Boa Vista.
Para o autor, é notável o crescente interessa dos recifenses pela história da cidade, que se reflete tanto na forma como alguns têm buscado se relacionar com a cidade, descobrindo seus encantos, como pelas pesquisas acadêmicas que têm focado na capital pernambucana.
"Quando comecei a escrever esse projeto, há mais de 20 anos, o pessoal das universidades estava muito ligado na Europa, à Idade Média, e pouco atento ao Brasil. Hoje, pela quantidade de gente que me procura, mestrandos e doutorandos, para ter conhecimento maior da bibliografia regional, vejo que as coisas estão mudando nas universidades", reflete.
Fonte: Jornal do Commercio (18.08.2021)