
Livro resgata o teatro do Recife na década de 1930, período pouco estudado da história
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"O Teatro no Recife da Década de 1930: outros significados à sua história", de Leidson Ferraz, é lançado pelo selo SESC Pernambuco com apoio da Cepe Editora
Ainda sobre "O Teatro no Recife da Década de 1930", Leidson Ferraz reúne imagens raras, mapeamentos de peças e ações realizadas por grupos e artistas independentes nos teatros do centro da capital pernambucana, mas também pelos "arrabaldes", como eram chamados os bairros de subúrbios. Era um momento em que principalmente comédias, burletas e operetas davam o tom dos palcos.
A pesquisa reúne vestígios publicados nos jornais, mas também em documentos achados por acervos particulares ou públicos. O trabalho “pretende situar aquele teatro de outrora, período ainda pouco estudado e valorizado, em sua lógica de produção cultural e salientar o que existia na dinâmica do movimento cênico da época, principalmente na relação com a imprensa, o poder instituído e os espectadores.
De acordo com o pesquisador, o estudo "quis minimizar o descaso com a produção teatral recifense em momento anterior à chamada modernidade do nosso palco, quando o encenador veio dar unidade estética aos espetáculos”.
O livro aflora a trajetória de grupos expressivos, a exemplo do Grupo Gente Nossa e do Grêmio Familiar Madalenense (liderado pelos Irmãos Valença), ou de artistas como Samuel Campello, Elpídio Câmara, Barreto Júnior, Lenita Lopes e Valdemar de Oliveira, entre outros. Contudo, o estudo vai além do discurso que ocupa posição dominante no campo historiográfico nacional, sempre a abordar o “modo antigo” de se fazer teatro em suas tão depreciadas contradições.
Leidson Ferraz atualmente é Doutorando em Artes Cênicas na UNIRIO (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro) e já possui uma vasta série de livros e artigos publicados na área, além de acervos organizados. Alguns exemplos são a coleção Memórias da Cena Pernambucana, o livro/pesquisa Teatro Para Crianças no Recife: 60 anos de história no século XX e o projeto Teatro Tem Programa!,entre muitas outras iniciativas.
Fonte: Jornal do Commercio (17.12.2021)