
Sentir também é coisa de menino: livro infantil aborda emoções complexas na infância
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Pedro é um menino com apenas dez anos de idade. Uma criança como outra qualquer não fosse o mau humor frequente que o leva a sempre reclamar de tudo. Estar na companhia de Ana, sua melhor amiga, é a única condição capaz de fazê-lo abrir largos sorrisos e a deixar de lado o azedume. Mas o mundinho de Pedro vira de cabeça para baixo quando Ana se muda para uma cidade distante. Novo título infantojuvenil da Cepe Editora, O outono de Pedro, de Viviane Ferreira Santiago (texto) e Natália Gregorini (ilustrações), explora como os garotos conseguem lidar com sentimentos complexos, como a saudade, a raiva, a tristeza e a ansiedade. O evento de lançamento acontece no dia 16 de julho, às 19h, na Livraria Nuvem, em São Paulo.
No livro, a marcação do tempo é feita pelas estações do ano. Ana parte na primavera, prometendo voltar no outono. Neste intervalo, em que “os dias passavam em câ me ra len ta”, Pedro se vê diante de um turbilhão de emoções: a cara de braveza dá lugar a uma tristeza sem fim; um vazio surge no peito e o coração aperta; o choro nasce e a terrível sensação de lidar com a espera, se estabelece.
Para enfrentar o tempo desafiador, ele resolve criar um presente especial que será dado à amiga na sua volta: uma fonte de água cristalina, missão que o leva a recolher centenas de pedras por onde anda. Pedro contará com a ajuda do pai e de Seu Joaquim, 78 anos, jardineiro da rua onde mora. Ambos terão papéis fundamentais no processo vivido pelo menino em lidar com as emoções, o tempo e a impermanência das relações humanas, um dos maiores desafios da vida.
Terceiro livro infantil de Viviane Ferreira Santiago, O outono de Pedro surgiu com a maternidade. “Sou uma mulher cercada por outras mulheres. Durante muito tempo, meu contato com o universo masculino foi limitado. Isso muda com o nascimento do meu segundo filho. A partir dele, começo a olhar com mais sensibilidade para questões que antes eu talvez não compreendesse em profundidade: as ansiedades, os medos, os desejos e também os silêncios que fazem parte da vida dos meninos desde a infância”, destaca a autora.
Para Viviane, assim como os adultos, crianças lidam com emoções profundas, com a diferença de que, na maioria das vezes, ainda não possuem repertório emocional para nomeá-las. No caso do personagem Pedro, a saudade passa a ser definida como uma repetição de dias iguais. A ansiedade surge da tentativa de compreender o tempo, controlar a ausência e a expectativa do retorno da amiga. “Eu queria tratar isso com gentileza, pois crianças vivem emoções intensas de maneira confusa. Exatamente por estarem recebendo as primeiras informações humanas de separação, perdas, impotência e frustrações. Às vezes elas ficam irritadas, introspectivas, agitadas ou excessivamente presas a uma ideia, e nem sempre os adultos percebem que ali existe um novo conceito de experiência emocional acontecendo, que sem regulação, pode se transformar em ansiedade”, assegura.
Ela espera que o livro possa criar vivências tanto para as crianças como para os adultos. “Falar sobre o tempo e sobre afetos que não voltam é uma vivência muito particular para as pessoas. Queria escrever uma história que falasse sobre a saudade sem subestimar a sensibilidade infantil; falar sobre afetos masculinos de uma maneira gentil. Falar sobre meninos que choram, sentem, se frustram, amam profundamente e precisam ser escutados, sem que isso seja diminuído ou silenciado”.
Sobre as autoras:
Viviane Ferreira Santiago - Mineira, radicada em São Paulo, Viviane é jornalista, tendo ainda formação em Pedagogia, Letras e Ciências da Religião. Venceu importantes prêmios literários, como o Cepe de Literatura Infantil, e acredita que a literatura é uma ferramenta para transformar a sociedade. Com 12 livros publicados, lançou tmbém pela Cepe o infantojuvenil A biblioteca de Bia (2021).
Natália Gregorini - Nasceu em Vilhena (RO), e vive em Campinas (SP). Graduada em Artes Visuais, realizou intercâmbio na Universidade do Porto (Portugal). Fez mestrado em Poéticas Visuais, pesquisa que resultou em seu primeiro livro autoral, Madalena (Livros da Matriz, 2019). Suas ilustrações são desenvolvidas em diferentes mídias, como pintura em guache e acrílica, lápis de cor, pastéis, gravura e pintura digital.